Realidade Atual dos Parakanã

Dentro da Terra Indígena Parakanã existem hoje nove aldeias: Maroxewara (52 pessoas), Inaxyganga (86 pessoas), Paranatinga (206 pessoas), Paranowaona (126 pessoas), Itaygo'a (88 pessoas), Paranoawe (91 pessoas), Parano'a (39 pessoas), Itapeyga (50 pessoas), Paranoita (55 pessoas)num total de 793 habitantes.
Retiram da floresta a maior parte de seu sustento. Não são canoeiros, dessa forma não necessitam de grandes cursos d'água, construindo suas aldeias, geralmente, próximas a pequenos igarapés, em lugares elevados que não fiquem a mercê das cheias.
As casas são construídas com paxiúbas e palha de babaçu para as paredes e o telhado, respectivamente, e cipó para as amarrações.
Tradicionalmente, a casa abrigava a família extensa, constituída de três gerações ou mais, tendo como regra residencial a patrilocalidade e como regra de descendência a patrilinearidade. Cada família extensa era subdividida em famílias nucleares, constituídas de um homem, sua mulher e seus filhos pequenos. A família extensa podia se dividir e o grupo que saia construía uma outra moradia próximo à casa original. No passado, uma grande casa poderia abrigar até toda a população de uma aldeia. Atualmente esse padrão está bastante modificado, sendo mais comum um maior número de casas por aldeias, com famílias mais reduzidas e abrigando, geralmente, apenas a família nuclear.
Hoje em dia, muitos dos seus padrões originais de construção e costumes estão alterados, devido ao convívio com a sociedade brasileira, mas sua forte estrutura social permanece ainda bastante intacta.
Nas aldeias, todas as noites os homens se reúnem para conversar a respeito de suas caçadas, contar histórias e também para resolver assuntos do dia a dia da aldeia. Essa reunião se chama Tekatawa. As mulheres não participam da reunião dos homens, mas podem fazer a sua Tekatawa.
Entre os Parakanã não existe um único chefe. A liderança política se dá através dos líderes de grupos domésticos (famílias extensas), denominados Moroiroa.
Existem líderes menores em cada grupo familiar que, para as decisões mais amplas, se igualam à liderança da família extensa. São denominados Moroiroaere, "os que estão ficando velhos".
Nas decisões do grupo doméstico e de todo o grupo local participam também os Awaramekwera, homens que passam a ter sua segunda mulher e que geralmente tem dois ou mais filhos.
Ainda tem os Awarame, com participação política mais limitada, mas nem por isso menos influente. São os que se casam pela primeira vez, e constituem uma família nuclear ou elementar.
Os Parakanã formam uma sociedade exogâmica, e os casamentos ocorrem preferencialmente entre os cinco subgrupos constituintes: Apyterewa, Tapi'pyga, Wyrapina, Mikotywena e Maroxewara.
O casamento poligâmico é aceito na sociedade Parakanã, e um homem pode ter mais do que uma mulher, desde que tenha já uma certa respeitabilidade entre os membros da comunidade e seja um bom caçador.
Hoje, após anos de contato e do fim das guerras entre as diversas etnias habitantes desta região da Amazônia, os Parakanã começam a buscar casamentos com outras etnias, como uma forma de estreitar laços e evitar casamentos com parentes muitos próximos.
Os Parakanã orientais tem realizado casamentos com mulheres Asurini e Surui, e os Parakanã ocidentais com mulheres Surui, e estão retomando contato com os Parakanã do Xingu, com o intuito de realizarem casamentos.
Esta é uma das soluções para que, devido ao número reduzido da população, não ocorram casamentos com indivíduos de um mesmo grupo, situação que eles sabem não ser a ideal para a continuidade da descendência Parakanã.
Na sociedade Parakanã, os mais velhos são respeitados por todos, como portadores do conhecimento e da memória do povo, e sempre são consultados nas decisões que envolvem a vida da comunidade. Inclusive, quando nasce uma criança, esta só recebe o nome depois de alguns meses de nascidas, porque é necessário que um dos avós ou um dos mais velhos da aldeia sonhe com o nome que ela irá receber.
Quando alguém está doente, o homem mais velho da família a que o doente pertence vai até ele, para cantar e realizar rituais de cura. Nas festas, são os mais velhos que doam os cantos, que são compostos por eles ou aprendidos através de sonhos.
Suas festas principais são: Opetymo – a festa do cigarro, que em algumas vezes se transforma também em um rito de passagem: Os homens dançam por vários dias em jejum, fumando o cigarro que é preparado pelos mais velhos. Quando sentem sono, deitam-se no colo de uma das mulheres de sua família, pode ser a avó, a mãe ou a esposa. Se tiverem sonhos significativos, serão elevados a categoria de Awaramekwera, "os que estão ficando velhos";
Metymonawa - a festa do Urubu, onde desenvolvem rituais próprios de afirmação étnica, e a festa do mel, onde as mulheres preparam um mingau de farinha e mel para alimentar a comunidade.
Além destas festas específicas possuem diversos rituais – Mypa - como a festa do tatu, do jabuti e do jacaré, que realizam quando ocorre uma grande caçada e conseguem capturar muitos animais de uma mesma espécie, e assim este se tornará o tema da comemoração. O mesmo acontece, entre os Parakanã ocidentais, quando encontram uma fruta em abundância, esta pode se transformar em motivo para uma festa.
Há também a festa das mulheres adolescentes – Oxemo'e koxarame, e a festa da família - Xeokwera .
No dia a dia, a divisão de tarefas obedece a regras específicas: é o homem quem sai para caçar e pescar, para trazer o alimento para sua família, e a esposa geralmente o acompanha, com os filhos mais novos.
Quando o homem mata uma caça, é a esposa quem a carrega, assim como também é ela, com os filhos, que busca a lenha para cozinhar o alimento. A esposa é responsável pela divisão da caça. Ela irá mandar uma parte para a família de seu pai, e uma parte para a família de seu esposo. Este sistema de troca garante que todos tenham alimento, mesmo que não saiam todos os dias para procurá-lo.
No trabalho do plantio, são os homens que preparam o solo, realizando o corte das árvores, a queimada e a broca, e as mulheres são responsáveis pelo plantio e pela colheita.
Quando a mandioca, que é o principal alimento produzido pelos Parakanã, está pronta para ser colhida, as mulheres vão para a roça, colhem, levam a mandioca para a aldeia, onde são descascadas e levadas para o rio, para que ocorra o processo de pubagem.
É desta forma que elas retiram as toxinas presentes na mandioca e assim ela se torna boa para ser consumida. Quando a mandioca está "puba", as mulheres e as crianças a levam de volta para a aldeia, onde o excesso de soro será retirado com o uso do tipiti, e ocorrerá o processo de torração da mandioca, que se transformará em farinha, prato muito apreciado pelos Awaete.
As mulheres, sempre acompanhadas das crianças, realizam o trabalho de coleta de frutos e raízes, e pequenas caças, como o jabuti. Elas também fazem as esteiras de olho de palha de babaçu e as redes e tipóias de tucum, que servem para carregar os filhos até os dois anos de idade.
As crianças estão sempre aprendendo com os adultos tudo o que for necessário para viverem na mata. Desde pequenos, os meninos brincam com arco e flecha e as meninas aprendem a trançar as palhas para fazer desde as paredes de uma casa a uma esteira para os bebês dormirem.
Além do aprendizado tradicional, o qual toda a comunidade é responsável em repassar para os mais jovens, após a implantação do Programa Parakanã, os Awaete passaram a ter educação escolarizada.
Cada aldeia possui uma infra-estrutura escolar, com uma escola para atender a todos os que quiserem estudar, sejam homens, mulheres ou crianças.
A alfabetização obedece à uma orientação bilingüe desde 1991 e com materiais didáticos e orientações específicas a realidade Parakanã. Cada professor não índio além de ter disponível o material de alfabetização na língua materna, elabora junto com a comunidade novos materiais para a realidade local de cada aldeia.
Também são oferecidos cursos práticos aos Parakanã, que tem como objetivos atender algumas necessidades que não são possíveis de serem sanadas apenas com a educação escolarizada, como por exemplo: Curso de microscopia para leitura de lâminas de malária, Curso de coleta de sementes para venda e produção de mudas, curso de corte e costura para as mulheres, entre outros.
Os esforços agora serão dirigidos para que os Awaete passem a trabalhar com os professores não índios nas escolas, a fim de que comecem a prática de uma educação escolarizada onde sejam eles os próprios gestores desse tipo de educação.
Como, provavelmente, será difícil viverem sem contato com a sociedade brasileira, os Awaete necessitam apreender os mecanismos básicos para compreendê-la e interagir com ela, sem serem lesados ou discriminados sob qualquer forma.

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