Realidade Atual dos Parakanã

Dentro da Terra Indígena Parakanã existem hoje onze aldeias: Maroxewara (60 pessoas), Inaxyganga (88 pessoas), Paranatinga (191 pessoas), Paranowaona (111 pessoas), Itaygo'a (97 pessoas), Paranoawe (81 pessoas), Parano'a (43 pessoas), Itapeyga (59 pessoas), Paranoita (62 pessoas), Itaoenawa (56 pessoas) e Oayga (44) pessoas) num total de 892 habitantes.
Retiram da floresta a maior parte de seu sustento. Não são canoeiros, dessa forma não necessitam de grandes cursos d'água, construindo suas aldeias, geralmente, próximas a pequenos igarapés, em lugares elevados que não fiquem a mercê das cheias.
As casas são construídas com paxiúbas e palha de babaçu para as paredes e o telhado, respectivamente, e cipó para as amarrações.
Tradicionalmente, a casa abrigava a família extensa, constituída de três gerações ou mais, tendo como regra residencial a patrilocalidade e como regra de descendência a patrilinearidade. Cada família extensa era subdividida em famílias nucleares, constituídas de um homem, sua mulher e seus filhos pequenos. A família extensa podia se dividir e o grupo que saia construía uma outra moradia próximo à casa original. No passado, uma grande casa poderia abrigar até toda a população de uma aldeia. Atualmente esse padrão está bastante modificado, sendo mais comum um maior número de casas por aldeias, com famílias mais reduzidas e abrigando, geralmente, apenas a família nuclear.
Hoje em dia, muitos dos seus padrões originais de construção e costumes estão alterados, devido ao convívio com a sociedade brasileira, mas sua forte estrutura social permanece ainda bastante intacta.
Nas aldeias, todas as noites os homens se reúnem para conversar a respeito de suas caçadas, contar histórias e também para resolver assuntos do dia a dia da aldeia. Essa reunião se chama Tekatawa. As mulheres não participam da reunião dos homens, mas podem fazer a sua Tekatawa.
Entre os Parakanã não existe um único chefe. A liderança política se dá através dos líderes de grupos domésticos (famílias extensas), denominados Moroiroa.
Existem líderes menores em cada grupo familiar que, para as decisões mais amplas, se igualam à liderança da família extensa. São denominados Moroiroaere, "os que estão ficando velhos".
Nas decisões do grupo doméstico e de todo o grupo local participam também os Awaramekwera, homens que passam a ter sua segunda mulher e que geralmente tem dois ou mais filhos.
Ainda tem os Awarame, com participação política mais limitada, mas nem por isso menos influente. São os que se casam pela primeira vez, e constituem uma família nuclear ou elementar.
Os Parakanã formam uma sociedade exogâmica, e os casamentos ocorrem preferencialmente entre os cinco subgrupos constituintes: Apyterewa, Tapi'pyga, Wyrapina, Mikotywena e Maroxewara.
O casamento poligâmico é aceito na sociedade Parakanã, e um homem pode ter mais do que uma mulher, desde que tenha já uma certa respeitabilidade entre os membros da comunidade e seja um bom caçador.
Hoje, após anos de contato e do fim das guerras entre as diversas etnias habitantes desta região da Amazônia, os Parakanã começam a buscar casamentos com outras etnias, como uma forma de estreitar laços e evitar casamentos com parentes muitos próximos.
Os Parakanã orientais tem realizado casamentos com mulheres Asurini e Surui, e os Parakanã ocidentais com mulheres Surui, e estão retomando contato com os Parakanã do Xingu, com o intuito de realizarem casamentos.
Esta é uma das soluções para que, devido ao número reduzido da população, não ocorram casamentos com indivíduos de um mesmo grupo, situação que eles sabem não ser a ideal para a continuidade da descendência Parakanã.
Na sociedade Parakanã, os mais velhos são respeitados por todos, como portadores do conhecimento e da memória do povo, e sempre são consultados nas decisões que envolvem a vida da comunidade. Inclusive, quando nasce uma criança, esta só recebe o nome depois de alguns meses de nascidas, porque é necessário que um dos avós ou um dos mais velhos da aldeia sonhe com o nome que ela irá receber.
Quando alguém está doente, o homem mais velho da família a que o doente pertence vai até ele, para cantar e realizar rituais de cura. Nas festas, são os mais velhos que doam os cantos, que são compostos por eles ou aprendidos através de sonhos.
Suas festas principais são: Opetymo – a festa do cigarro, que em algumas vezes se transforma também em um rito de passagem: Os homens dançam por vários dias em jejum, fumando o cigarro que é preparado pelos mais velhos. Quando sentem sono, deitam-se no colo de uma das mulheres de sua família, pode ser a avó, a mãe ou a esposa. Se tiverem sonhos significativos, serão elevados a categoria de Awaramekwera, "os que estão ficando velhos";
Metymonawa - a festa do Urubu, onde desenvolvem rituais próprios de afirmação étnica, e a festa do mel, onde as mulheres preparam um mingau de farinha e mel para alimentar a comunidade.
Além destas festas específicas possuem diversos rituais – Mypa - como a festa do tatu, do jabuti e do jacaré, que realizam quando ocorre uma grande caçada e conseguem capturar muitos animais de uma mesma espécie, e assim este se tornará o tema da comemoração. O mesmo acontece, entre os Parakanã ocidentais, quando encontram uma fruta em abundância, esta pode se transformar em motivo para uma festa.
Há também a festa das mulheres adolescentes – Oxemo'e koxarame, e a festa da família - Xeokwera .
No dia a dia, a divisão de tarefas obedece a regras específicas: é o homem quem sai para caçar e pescar, para trazer o alimento para sua família, e a esposa geralmente o acompanha, com os filhos mais novos.
Quando o homem mata uma caça, é a esposa quem a carrega, assim como também é ela, com os filhos, que busca a lenha para cozinhar o alimento. A esposa é responsável pela divisão da caça. Ela irá mandar uma parte para a família de seu pai, e uma parte para a família de seu esposo. Este sistema de troca garante que todos tenham alimento, mesmo que não saiam todos os dias para procurá-lo.
No trabalho do plantio, são os homens que preparam o solo, realizando o corte das árvores, a queimada e a broca, e as mulheres são responsáveis pelo plantio e pela colheita.
Quando a mandioca, que é o principal alimento produzido pelos Parakanã, está pronta para ser colhida, as mulheres vão para a roça, colhem, levam a mandioca para a aldeia, onde são descascadas e levadas para o rio, para que ocorra o processo de pubagem.
É desta forma que elas retiram as toxinas presentes na mandioca e assim ela se torna boa para ser consumida. Quando a mandioca está "puba", as mulheres e as crianças a levam de volta para a aldeia, onde o excesso de soro será retirado com o uso do tipiti, e ocorrerá o processo de torração da mandioca, que se transformará em farinha, prato muito apreciado pelos Awaete.
As mulheres, sempre acompanhadas das crianças, realizam o trabalho de coleta de frutos e raízes, e pequenas caças, como o jabuti. Elas também fazem as esteiras de olho de palha de babaçu e as redes e tipóias de tucum, que servem para carregar os filhos até os dois anos de idade.
As crianças estão sempre aprendendo com os adultos tudo o que for necessário para viverem na mata. Desde pequenos, os meninos brincam com arco e flecha e as meninas aprendem a trançar as palhas para fazer desde as paredes de uma casa a uma esteira para os bebês dormirem.
Além do aprendizado tradicional, o qual toda a comunidade é responsável em repassar para os mais jovens, após a implantação do Programa Parakanã, os Awaete passaram a ter educação escolarizada.
Cada aldeia possui uma infra-estrutura escolar, com uma escola para atender a todos os que quiserem estudar, sejam homens, mulheres ou crianças.
A alfabetização obedece à uma orientação bilingüe desde 1991 e com materiais didáticos e orientações específicas a realidade Parakanã. Cada professor não índio além de ter disponível o material de alfabetização na língua materna, elabora junto com a comunidade novos materiais para a realidade local de cada aldeia.
Também são oferecidos cursos práticos aos Parakanã, que tem como objetivos atender algumas necessidades que não são possíveis de serem sanadas apenas com a educação escolarizada, como por exemplo: Curso de microscopia para leitura de lâminas de malária, Curso de coleta de sementes para venda e produção de mudas, curso de corte e costura para as mulheres, entre outros.
Os esforços agora serão dirigidos para que os Awaete passem a trabalhar com os professores não índios nas escolas, a fim de que comecem a prática de uma educação escolarizada onde sejam eles os próprios gestores desse tipo de educação.
Como, provavelmente, será difícil viverem sem contato com a sociedade brasileira, os Awaete necessitam apreender os mecanismos básicos para compreendê-la e interagir com ela, sem serem lesados ou discriminados sob qualquer forma.

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