Os Índios Parakanã - Senhores dos Urubus

Os Índios Parakanã - Senhores dos Urubus

Os Parakanã se autodenominam awaete - gente de verdade. A denominação Parakanã foi dada pelos índios Arara-Pariri, atualmente extintos.
Os Araweté denominam os Parakanã de iriwã pepa yã - Senhores das penas de Urubu. Provavelmente este nome surgiu devido ao costume dos Parakanã de se enfeitarem com penas de urubus para realizar alguns de seus rituais.
A festa do urubu - Metymonawa, é a mais importante realizando-a quando nascem muitas crianças na aldeia. Contam que há muito tempo atrás, o urubu-rei - orowotynga, não morria, e então passaram a realizar o ritual com as penas deste animal para adquirir a imortalidade.
Hoje, o ritual é realizado para atrair saúde para as crianças e alegria para a aldeia. Quando se preparam para as festas, tanto os homens quantos as mulheres colhem resina e urucum, mas somente os homens, adultos e adolescentes, se enfeitam. Passam a resina na parte inferior do corpo, fazem um círculo em volta da cintura e colam as penas brancas. Preparam um pouco da resina misturando-a com urucum, e a utilizam para ornamentar a cabeça com as penas tingidas de vermelho.
Os Parakanã se subdividem em dois grandes grupos, o Parakanã oriental e o Parakanã ocidental, existindo pequenas diferenças dialetais e culturais entre eles.
São falantes da língua akwawa, dialeto parakanã, família tupi guarani, tronco lingüístico tupi, que incluem as línguas Asurini e Suruí do Tocantins.
A língua portuguesa é falada mais pelos jovens, e somente com os não índios que trabalham nas aldeias, visitantes ou quando viajam para cidades próximas. Entre eles a comunicação se faz unicamente em Parakanã. São poucas as mulheres que falam ou entendem o português, preferindo falar sempre em Parakanã.
Atualmente vivem em uma área de 351.697,41 ha, legalmente demarcada, homologada e registrada no serviço de Patrimônio da União, conforme Decreto 248/91 de 29.10.91. A Terra Indígena Parakanã está situada em dois municípios no estado do Pará: Novo Repartimento e Itupiranga.
Como a maioria das nações indígenas existentes no Brasil, os Parakanã mantém contato com os não índios. Datam de 1910 os relatos dos primeiros contatos que tiveram lugar no rio Pacajá, acima da cidade de Portel.
Sofreram diversos impactos causados pelas mudanças sócio-políticas e econômicas do país: a construção da estrada de ferro Tocantins (que teve início em 1895); a busca de castanhais (1927), a campanha de pacificação empreendida pelo Serviço de Proteção ao Índio (1953); a construção da Transamazônica (1970) e a Hidrelétrica de Tucuruí (1974).
Todos esses momentos contribuíram para que muito da cultura desse povo se perdesse, quando tinham que fugir das frentes de contato estabelecidas pela sociedade brasileira, ou devido as doenças, mortes em confrontos com castanheiros, garimpeiros e demais distúrbios provocados por esses contatos.
Mesmo assim conseguiram sobreviver, e hoje, com a posse de suas terras garantidas e contando com o apoio do Programa Parakanã - PROPKN, se encontram em pleno processo de resgate cultural e crescimento populacional.

  heliomar@parakana.org.br